Pare para negociar- educação financeira – parte7

Pare para negociar- educação financeira – parte7

por Jurema Cintra Barreto

advogada e as vezes psicóloga e amiga dos clientes


Falamos muitas coisas durante a semana, recebi muitos comentários e mensagens, e é um bom impulso para continuar escrever.

Você já aprendeu que sem dar uma Parada estratégica em compras e sem economizar no dia-a-dia você não vai conseguir alcançar seus objetivos. Outra coisa importante nesta época de vacas magras é que  ficar olhando facebook, whatsapp e instagram, 24 horas por dia, também não vai pagar suas contas. Pare de ver um mundo ideal e vamos trabalhar no mundo real.

Um super-endividado precisa se conscientizar de que é um consumista e até procurar ajuda psicológica e médica. Outra forma de entender esse processo é ler, ler muito. Assim podemos refletir sobre esta louca sociedade de consumo. Poesia enaltece a alma e afaga esta ansiedade, tem sites gratuitos, bibliotecas públicas e livros para downloads na internet.  Então até para ler bons autores você pode economizar. Quando repensamos nossos hábitos e damos importâncias aos valores universais como a arte, poesia e literatura, acredito que vai ficar mais cada dia mais prazeroso e menos doloroso este processo de “Desendividamento”.

Ouço frases como:

  • Não sei pechinchar;
  • Não sei negociar;
  • Não sei calcular;
  • Não sei contabilizar;
  • Fico com medo do atendente;
  • Só de ver o número do telefone do banco no visor do celular me dá depressão;
  • Não consigo falar o que preciso;
  • Fico muito nervosa quando vou ao Banco;

Já conversamos aqui que vergonha mesmo é não trabalhar e não correr atrás dos objetivos, ser  inerte que deve matar alguém de vergonha. Pesquisar é muito importante, se você não sabe fazer essas complexas contas de juros use a Calculadora do Cidadão do Banco Central, ela é prática e muito útil. vergonha é não termos consciência de nossas profundas ignorâncias.

Se você está sem dinheiro, seu nome já está sujo e você tem taquicardia quando as ligações de cobrança tocam em seu celular, bloquei os números por um certo tempo. Logo eles vão te ligar de outro telefone mesmo, ganha-se um mês de paz para planejar os pagamentos, as negociações. (Risos)

Lembra daquela atividade extra? Aquele dinheirinho que você não estava contando? A devolução do Imposto de Renda, o décimo terceiro, o bico do fim de semana, da festa que você trabalhou? Este é um valor que você deve guardar para negociar suas dívidas. Não sair por aí gastando em festas e baladas.

Por ordem: primeiro as dívidas das pessoas físicas depois pessoas jurídicas. Pague ao vizinho ou parente que você comprou, após aos bancos.

Depois opte pela dívidas menores depois as maiores.

Veja os descontos das dívidas mais velhas, depois as mais novas, quanto mais tempo, mais desconto o banco lhe dá.

Opte pelas dívidas com maiores taxas de juros depois as menores.

As vezes embaralha mesmo, e então chega o momento de você desbloquear aqueles números e fazer uma espécie de leilão. Você tem 500 reais?Então quem aceitar 500 reais à vista, você paga. Ligue para os bancos e firmas de cobrança, eles mandam cartas, esteja com seu endereço atualizado para recebê-las. As atendentes sempre tem uma margem de negociação. Se você receber uma proposta de 550 reais á vista, ligue e tente baixar para 500 até conseguir. Como falamos anteriormente nos outros posts da série, quanto maior o tempo de inadimplência, maior o desconto, eles fazem cálculos estatísticos e matemáticos, mais tempo de dívida, menor a possibilidade do devedor pagar, aí os bancos fazem acordos extraordinários. Paciência e paciência. Cuidado com cobranças abusivas, frases do tipo: “vamos tomar tudo que você tem, vamos processar você, vamos penhorar seus bens imediatamente” podem ser punidas pela justiça, além disso ligações em horários impróprios, para o trabalho e para familiares também são ilegais.

Não gosta de falar pessoalmente, tem o feirão On Line Limpa Nome , assim você vê de forma automática suas dívidas e as propostas no conforto de sua casa.

Negociar as dívidas é uma forma de reduzi-las e não pagar tantos juros, tema da nossa conversa anterior.

Um acordo é sempre um bom negócio, costumo dizer aos clientes que ninguém perde, ninguém ganha a gente chega no meio da ponte e aperta as mãos, nos acomodamos. Nossa saúde financeira também.

Quando você quebrar esses malditos cartões de crédito, parar de comprar, tirar seu salário daquela conta corrente com limite, negativa de forma abominável(explicamos em posts anteriores este direito), enxugar as despesas fixas e da casa, sua vida vai mudar, o dinheiro vai começar a voltar para sua carteira.

Mas este é um hábito que deve permanecer sempre e sempre. Negociar dívidas, negociar compras, negociar propostas de aquisição de bens e serviços. Tudo que você já tem em casa também deve ser negociado. Renegocie o aluguel, baixe a conta de luz com economia ou ideias criativas, moradores do Rio podem até zerar a conta de luz entregando coleta seletiva . Baixe a conta de água com reuso e mudança de comportamento. Aproveite promoções nos mercados, compre em atacadistas e estoque quando tiver preços baixos, enfim, são muitas coisinhas do dia-a-dia e em algum momento o dinheiro terá de equilibrar.

Caso não ocorra você ainda tem algo sério a resolver. Você gasta mais do que ganha, você tem um nível de consumo incompatível com sua renda e isto é perigoso, é isto que leva ao super-endividamento. Ou você muda de hábitos, ou muda de profissão ou estará fadado ao divã de um psicólogo por muito tempo. Como preceitua a filósofa Hannah Arendt, você está no espaço da essência ou no espaço da aparência?

Calma, não estou pedindo que faça voto de pobreza, por que uma  forma ou outra vivemos emergidos numa sociedade capitalista, mas a forma de você consumir precisa mudar, o que comprar? como comprar? por que comprar? quanto pagar? Depois deste susto todo, deste turbilhão todo, você sairá disso como alguém diferente.

Ficam nossas 7 dicas, sete artigos intensos sobre mudança comportamental. Não te aflijas pode demorar, mas aos pouco você passará de devedor para poupador. Acompanhem mais práticas de educação financeira na coluna Consumo Consciente em nosso blog.

Dica 1 – PARE DE COMPRAR

Dica 2- PARE DE CHORAR

Dica 3- PARE PARA PLANEJAR

Dica 4- PARE PARA POUPAR

Dica 5- PARE DE PAGAR JUROS

Dica 6- PARE DE PARCELAR

Dica 7- PARE PARA NEGOCIAR